Paráfrase:
AUTO DA BARCA DO INFERNO
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SOBRE A OBRA
Gil Vicente debruçou sobre um teatro
de crítica social e de costumes.
Seguiu seus instintos e saiu
movendo pedras e levantando lebres,
sem considerar como melhor este
ou aquele tipo humano.
Uma obra que não buscou inimigos,
mas propôs uma reflexão sobre a sociedade
de uma época,
com o desejo firme de que todos
mirassem os exemplares
apresentados e se encontrassem nele.
"Rindo-se, castigam-se os costumes"
SOBRE nosso TRABALHO
Tivemos contato com a narrativa da
Genealogia Angelical ,
para entender que o bem foi o início de tudo.
Fizemos a leitura do texto poético narrativo
"O Violeiro " do menestrel :
Elomar Figueira de Melo ,
nosso conterrâneo, não só por esta
peculiaridade,
mas para percebermos que o tipo de escrita,
a medida métrica e o assunto contribuem
para a execução de uma obra
e que tais pontos tornam-na única.
Ouvimos a obra para constatar que
há uma intenção melódica sobre
cada palavra e que a beleza
é possível na simplicidade da linguagem.
Listamos tipos humanos que conhecemos
para o julgamento:
ir para o céu ou ir para o inferno .
Escrevemos a descrição do tipo e
a justificativa para sua condenação ou absolvição,
seguindo os costumes da atualidade.
Buscamos fazer paródias que traduzissem as
características de cada personagem
e notamos que muitos deles foram igualmente
tratados por Gil Vicente.
Finalmente, entre a entrevista musical
e o texto teatral clássico , optamos por
não utilizar nenhum recurso audio visual,
para valorizar a fala, a audição,
o canto o figurino e propiciar maior
entretenimento... Ficou mais intimista.
O texto foi coletivo , cada turma
escolheu uma situação inicial
e teceu seus conflitos .
Daí, partimos para os ensaios ,
a busca pelo figurino e pelas músicas
que caracteriza cada tipo
(foi muito pessoal),
porque os alunos foram eleitos
em cada classe, para representar
cada personagem.
Um resultado... surpreendente?
Não, uma experiência saudável e enriquecedora!
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Exercício:
Prefeito
Mamãe! não quero ser prefeito
Pode ser que eu seja eleito
e alguém pode me denunciar
Ex-prefeito foi tão cedo
Deus me livre! eu tenho medo
de morrer sem me formar.
Papai! eu não vou prometer nada,
pois eu não vou fazer nada
(vão querer me assassinar!)
Eu não sou besta , vou me formar
pra prefeito, se for eleito
vão ter que me matar!
Prefeito honesto
só existe no gibi
quem quiser que fique aqui...
entrar na política é com vocês.
Laelson Miranda (5ª série B- CEDOCA)
Depois deste texto, foi condenado a
representar o político na apresentação final.
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Sobre as barcas
Se foi pesadelo ou sonho?
Fica difícil de lhe dizer.
Tive foi um medo medonho
Então, comecei me benzer.
Vi dois barcos já ocupados,
Com tripulação agitada.
Inocentes nem culpados
Que viaje desesperada.
Mas o anjo vestido num véu
com bela conversa me guia
- Venha comigo, entre no céu!
Tenha cuidado com magia!
- Tá doido! sou bom cobrador.
Nunca escolhi candidato.
Mas, se já fiz qualquer favor...
Vai ter que pagar o pato.
Abre os braços sorridente,
Parecendo um cão danado...
O diabo ficou contente:
-Vem pra cá, cabra safado!
É barca rica, bacana...
Abarrotada e bem quente.
Notei uma certa fulana
Gritando: - Vem com a gente!
Vi político e matador,
Bancário com pistoleiro.
Acredite! Que vi um pastor,
Engajado no atoleiro.
Tem "boiola", "mulher da vida",
Banqueiro de traficante,
Nessa turminha bandida
Achei o padre com sua amante.
Juro, queria sair correndo!
Mas, gritei alto: - Sou inocente!
(pra livrar do julgamento)
Cuido de criança carente!
Meu anjo ficou todo animado.
Bateu palmas, me resgatou.
O diabo muito alterado:
- Pronto. O julgamento acabou!
Lisboa -2009
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A redondilha maior lembra a pujança da
Literatura Nordestina e nos remete à tradição lusitana.
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